Centro de Visitantes do Parque Nacional de Brasília – Parte II

No post anterior eu apresentei parte do meu projeto de diplomação para graduação em Arquitetura e Urbanismo, em 2005, cujo tema é um novo Centro de Visitantes para o Parque Nacional de Brasília, mais conhecido como Água Mineral.

Continuando, hoje vou falar do conceito e apresentar o projeto concluído.

Desde o princípio, os focos principais do partido para o Centro de Visitantes foram a relação harmônica com o entorno e a interferência mínima no terreno.

Por se tratar de um Parque Nacional, a ideia de desmatamento e remoção de árvores para a construção de edificações não é muito adequada. Surgiu assim o primeiro ponto do partido: a permanência das árvores e a edificação ao redor delas. Para alterar o mínimo possível o terreno original e facilitar o escoamento da água da chuva para o solo, optei pela elevação da edificação, surgindo assim, o segundo ponto do partido.

Fiz uma modulação para a estrutura sobre o mapeamento das árvores. A partir daí manchas foram criadas. A forma resultante desse recorte gerou uma planta baixa ortogonal e dinâmica.

Croqui malha

Croqui com marcação de árvores e malha para estrutura

Aproveitando a formação de um ponto focal, tracei um eixo dividindo a edificação em dois blocos assimétricos, formando um pátio entre eles e indicando para o visitante a praça principal que se encontra logo atrás da edificação.

Croqui blocos

Croqui com divisão da edificação em dois blocos marcando o eixo visual

Para manter a horizontalidade da paisagem, o Centro de Visitantes foi concebido entre dois planos horizontais, um para o piso e outro para a cobertura. Para marcar o eixo e a divisão em dois blocos, o plano superior foi dividido em três partes, sendo a central levemente elevada em relação às outras duas. Esta recebe cobertura vegetal sobre a laje.

Fachada

Formação de planos para a cobertura e piso, marcando a horizontalidade da paisagem

A arquitetura aqui está inserida no meio ambiente sem agredi-lo. Me inspirei no conceito de arquitetura orgânica do arquiteto americano Frank Lloyd Wright, onde o edifício está relacionado com o ambiente natural, e não é uma imagem forçada que domina o espaço. A ideia era se adequar ao entorno, e não chocá-lo.

Para tanto, o uso do vidro foi fundamental, já que leva o ambiente externo para dentro do Centro de Visitantes, e vice-versa. O visitante tem a impressão de estar fora, em contato direto com a natureza, mesmo dentro da edificação.

A distribuição das funções ficou assim determinada: no bloco maior e mais recortado, e que recebe menor insolação, encontram-se as áreas mais visitadas: recepção, área de exposições e restaurante. São espaços generosos e recebem, tanto quanto possível, panos de vidro que os tornam ambientes permeáveis entre si e em relação à paisagem do Parque.

No bloco menor foram locados o auditório e salas multiuso, além de toda a área técnica e administração da edificação. É bem menor a presença do vidro e seus recortes são mais tímidos devido às funções que abriga.

Setorização

Setorização nos blocos

Na praça principal, localizada no ponto focal atrás da edificação, encontra-se uma feira permanente de artigos da região, além de pomar, anfiteatro e espelhos d’água. Surgiu assim um espaço de convívio agradável e interativo, onde poderão ocorrer manifestações culturais. O traçado, às vezes sinuoso e às vezes angular e reto remete à forma da piscina da pedreira, a mais utilizada pelos visitantes, e também serve como ponto contrastante em relação à forma ortogonal da edificação.

Praça

Praça central

Privilegiou-se assim a iluminação e ventilação naturais, através de grandes aberturas de janelas e do uso de panos de vidro sempre que possível, além do uso de brises e pergolados para as áreas de maior insolação.

Programa de necessidades do Centro de Visitantes:

–        recepção;

–        sala de exposições;

–        restaurante de comidas típicas;

–        pátio coberto

–        salas multiuso / oficinas;

–        auditório;

–        administração;

–        área privativa de serviços;

–        sanitários públicos e de funcionários;

–        feira permanente com artigos regionais;

–        estacionamento (para carros e ônibus).

Dessa forma, o projeto pretendeu se inspirar na arquitetura orgânica, utilizando materiais alternativos e abundantes na região, além de buscar a relação harmônica com o entorno e o ambiente em que está inserido. Privilegiou-se ainda a sustentabilidade e o conforto bioclimático, provocando o mínimo de impacto ambiental na região e criando uma convivência harmônica com o meio ambiente.

Maquete eletrônica 1

Maquete eletrônica Centro de Visitantes

Maquete eletrônica 2

Maquete eletrônica Centro de Visitantes – entrada

Maquete eletrônica 3

Maquete eletrônica Centro de Visitantes – Praça

Maquete eletrônica 4

Maquete eletrônica Centro de Visitantes

Maquete eletrônica 5

Maquete eletrônica Centro de Visitantes – entrada

Maquete eletrônica 6

Maquete eletrônica Centro de Visitantes – vista interna

Maquete eletrônica 7

Maquete eletrônica Centro de Visitantes – vista interna para praça

Maquete eletrônica 8

Maquete eletrônica Centro de Visitantes – placas fotovoltáicas e telhado verde na cobertura

Maquete eletrônica 9

Maquete eletrônica Centro de Visitantes – placas fotovoltáicas e brises de madeira

Maquete eletrônica 10

Maquete eletrônica Centro de Visitantes

Maquete eletrônica 11

Maquete eletrônica Centro de Visitantes – vista estacionamento público